14.5.07

do fim de uma era

era uma vez um lugar legal. num reino aqui pertinho. onde as pessoas eram legais e a trilha sonora era melhor ainda. o hino era um banquete. "a heart of stone / a smoking gun". o único problema era ser mantida refém na pista de dança. mas o povo gostava. tinha bebiba e diversão para todos. eram muitos todos, aliás. uma pequena multidão. uma multidinha. que invadia este país, loucos para serem aprisionados na pista de dança.

e assim ele reinou, soberano, por muitos e muitos sábados.

porém,
como todo império,
depois do auge vem o declínio.

e as pessoas continuavam a ir. mas não eram as mesmas pessoas legais. tinha gente de passagem só. turistas. que ouviram falar de algo que parecia ser legal mas não sabiam exatamente pq. mas a música ainda era boa. ela resistia. e eu me mantinha refém da pista. as cotoveladas, os pisões, nada me expulsava dali. eu tinha chegado primeiro. junto com a música.
até que, um dia, a música resolveu que também não era mais a mesma. não sei exatamente pq. mas não eram mais irresistíveis. do meu lugar cativo, eu me mantinha alheia às pessoas esquisitas-que-empurram. mas, do mesmo lugar, eu não conseguia ficar parada esperando pela próxima.

e eu tive que assumir que eu perdi a batalha.
que um império declinou.
e que eu tenho que procurar novos horizontes para assentar acampamento.

e é com muita dor no coração.

12.5.07

da relatividade

eu chego e dou boa noite.
ele abre a porta e fala bom dia.

e eu tenho certeza que é de propósito.

do blog que não me deixa postar

9.5.07

do acaso

um dia eu fui na banca fazer a minha compra mensal. moda. música. novidades. suprimento suficiente para dias de sol, noites tediosas, companhia para o almoço e demais brechas no tempo.
em uma delas veio um calombo. um vidro de esmalte que foi renegado a um lugar - sem destaque nem glamour - do meu criado-mudo numa dessas noites tediosas. em que eu li a revista. toda. inteira. que era tão profunda qto pode ser uma revista que traz um vidro de esmalte. e em que eu precisava arranjar mais coisas pra fazer.
olhei pro lado. 2 am. (amanhã eu preciso acordar cedo). um livro. um esmalte. o abajur.
o esmalte.
o esmalte era uma das coisas mais inúteis q eu poderia ter ganhado. em todos os meus vinte e cinco anos de vida. e não só era um esmalte. era vermelho. sim. sem dúvida alguma. ele era vermelho.
hum... e se eu pintasse a unha? sim, eu tenho acetona. tá. eu pinto. durmo. e vejo como eu me sinto quando acordar.
2:15 am. unhas pintadas. definitivamente de vermelho.

-

8:30 am. ai, saco.
uou! unhas pintadas!
vermelho! me gusta.

saí desfilando-as por aí.

-

la bohéme. volúpia. fifith avenue. deixa beijar. carmim. cigana. pareô. desejo. diva.
tenho todos.
todos definitivamente vermelhos.

8.5.07

dos macacos

gamei. pronto.
ga-mei.
isso, de segunda. me ganhou.
o ráipe era eu ter dito isto mês passado, ano passado, antes mesmo dos próprios.
eu já gostava do primeiro. mas achei q era um flerte, um amor de verão. one hit wonder.
algo impensado. inconseqüente. outros viriam.
eu não sou facinha assim.
tinha rolado uma paixão, mas agora é amor.

e tá lá. tá no replay. tá no ranking do last.fm. tá nos autos. tá no "top most played". consta dos dados oficiais.
os arctic monkeys são a minha banda favorita da última semana.
agora eu só preciso de uma carteirinha.

-

ráipe? ráipe mai és!

7.5.07

da insistência

ele vem da janela. bzzzzzzzzzzzzzzzz. tum.
ele vai pra parede. bzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz. tum
ele roda a esmo. (deve estar tonto)
ele bate na lâmpada. bzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz. tum.
ele bate na parede. bzzzzzzzzzzzzz. ele bate na lâmpada.bzzzzzzzzzzzzz.
ele roda a esmo.bzzzzzzzzzzzzzzzzzz.
ele bate no vidro. tum. tum. tum.
ele sai pela janela.

-

ele entra pela janela. bzzzzzzzzzzzzzzzz.tum.
(lá vamos nós.)
ele bate na lâmpada. tum.
ele bate na parede. tum.
tum. ele roda a esmo.
(e eu aqui esperando ele cair em mim.)
ele bate na lâmpada. tum. na lâmpada. tum. tum. tum.
na lâmpada.
ele sai pela janela.

-

quantas vezes um besouro é capaz de bater na mesma lâmpada?

6.5.07

do domingo

eu acordo com um italiano contando uma história doida de um ballet clássico que se passa durante a revolução industrial, ou seja, sapatilhas sobre ferrovias, grand jetés em barcos a vapor. quantos brasileiros acreditam em deus? o iggy pop sofre de regressão. the next big thing - just a band. um duo latino que se conheceu em ny e faz um som pra gringo ver - mas não é o q eu esperava. pensar num bangalô "exclusivo, diferenciado". where are your friends tonight? árvore urbana pra segunda temporada. segundo episódio de uma trilogia. uma pilha à minha espera. 2 x 0. músicas escolhidas e separadas por desconhecidos q conhecem outras músicas. C D C D C D - they are going out to bars. quanto custa o m2 de epóxi? parece que ontem foi bom. é a técnica que leva a arte ou a arte que leva a técnica?
:
domingo.
tédio?

-

tédio é segunda-feira.
tédio é café no copo plástico.
tédio é piada pronta.

-

domingo devia ter mais vezes por semana, isso sim.

2.5.07

da cafonice

a cafonice é subestimada. sub-sub. dizem que a cafonice nem legal é. ora, liberte-se das amarras da sociedade! o brega é, sim, um estilo de vida! o que não é um bom degradê aplicado na hora certa?! e na horra errada tb? pq cafonice não tem hora! e degradê não tem certo. o que são exclamações num texto?! é a alegria de viver! e que me diz de fontes script? da coitada da comic sans? que que ela te fez? coloca a pobrezinha. tire-a do ostracismo. traga-a para a luz. deixe o mundo ver o seu cafona interior. não se intimide! quer um sombreado? opa, é pra já!
se joga!

-

te convenci?
não?

nem eu.

da tortura

fecho os olhos.
tá lá. ele. esperando.
de agora para um tempo atrás. quando então era agora.

o barulho da tv não faz parte.
o filme dos olhos fechados é melhor do que o da tv.
é uma reprise, no caso. nos dois casos.

-

everytime you close your eyes (lies, lies)

-

eu abro os olhos.
tá lá. a tv.
e eu.
tendo que lidar com o que já foi lidado.
de novo. e de novo. e de novo.
como criança que não aprende nunca.

1.5.07

do infinitivo

"eu vo fala pra ela te liga".
mim tarzan. você jane.

"estava a procura".
'tava? jura? onde?

-

mania que eu tenho é ler o que está escrito.
mania pior ainda é não entender quando está escrito errado.
mania que atrapalha a vida, pq, afinal, errado é quem lê certo. não quem escreve errado.