eu tinha duas.
uma no tornozelo: pareciam asas. pareciam, não eram. pb. 3 curvas concêntricas. ah! parecia o símbolo das organizações do dharma se ele fosse redondo. e com 3 curvas concêntricas. esta nem me incomodou tanto.
a segunda era mais pra cima. agora eu não me lembro bem. devia ser no ombro. era maior. figurativa. colorida. era meio cafona também.
eu tinha achado linda. linda. vai saber...
era melhor que eu achasse que era linda. ela já tava lá. não tinha como tirar.
aí eu acordei.
ufa. alívio: nada no ombro. no braço. nas costas. nada na barriga. no tornozelo tava lá a do dharma de aquiles. elas não iam combinar com as minhas sapatilhas rosas... mas sabe que, assim, olhando no espelho da aula, até que não ficou ruim? gostei. ainda bem que esta ficou aqui.
aí eu acordei.
fui conferir.
ah não. aquela feiosa tá aqui ainda. e agora? pq as coisas são definitivas? eu não tive nem tempo pra me arrepender. eu era jovem e inexperiente. e ela já era eterna.
aí eu acordei (de novo?)
ai eu me perdi na conta. e comecei a ficar confusa. quem que tá controlando o q aqui? tem alguém se divertindo com isso. só pode. "olha lá, não sabe se dormiu ou se acordou! não sabe se chora ou se ri..."
ha! muito engraçado. (e este despertador que não toca).
a feiosa tava lá. firme e forte.
eu vou ter que usar blusas com manga para o resto da eternidade. não. tem que ter um jeito. TEM que ter.
tem. que. ter.
tem.
aí eu acordei (mas estão de brincadeira)
nada no tornozelo. mas esta nem era tão ruim.
será que só sobrou a feiosa?
não, nada aqui também.
eu tô toda limpinha. a pele zero bala.
aê!
-
mas...
e se eu fizesse uma tatuagem?
hum... tá. mas só se eu pudesse acordar depois.
30.5.07
23.5.07
do refeitório
-vc viu a roupa q a fulana veio hj? menina, onde ela pensa que vai daquele jeito?
-é! e tá gorda ainda por cima...
-
-pois então, vc acredita? ligou nas minhas costas! disse tudo pra ela.
-ai, não!
-é!
-
-reunião, reunião! então! cheguei hj e a fulana tava sentada no colo do fulano. no meio de todo mundo!
-mas a fulana não é casada?!
-é!
-e os dois não trabalham na mesma sala?
-pois!
-e tem mais! aquela camisa dele hj, vc viu?
-ai, vi, não gostei!
-então, ela q comprou pra ele!
-genteee, isso não vai dar certo.
-
-fechou um contratão!
-imagina a comissão!
-mas o cliente não era dele...
-iiiihhhhh
-
-viu? ele já tá indo embora.
-não pode dar 4:55 que o cara, ó, se manda!
-todo dia, né?
-
fofoca. intriga. suspense. romance. traição.
tudo isso em O REFEITÓRIO.
de segunda a sexta. 12:30 hrs.
-é! e tá gorda ainda por cima...
-
-pois então, vc acredita? ligou nas minhas costas! disse tudo pra ela.
-ai, não!
-é!
-
-reunião, reunião! então! cheguei hj e a fulana tava sentada no colo do fulano. no meio de todo mundo!
-mas a fulana não é casada?!
-é!
-e os dois não trabalham na mesma sala?
-pois!
-e tem mais! aquela camisa dele hj, vc viu?
-ai, vi, não gostei!
-então, ela q comprou pra ele!
-genteee, isso não vai dar certo.
-
-fechou um contratão!
-imagina a comissão!
-mas o cliente não era dele...
-iiiihhhhh
-
-viu? ele já tá indo embora.
-não pode dar 4:55 que o cara, ó, se manda!
-todo dia, né?
-
fofoca. intriga. suspense. romance. traição.
tudo isso em O REFEITÓRIO.
de segunda a sexta. 12:30 hrs.
da bolha
a luz branca do monitor sugando seu cérebro (mas vc não deixa ele ir todo) e os fiozinhos brancos enchendo o ambiente. você está na bolha. você. música. a tela. e alguém do lado reclamando:
-oi? (silêncio)
-ai, desliga isso!! (silêncio)
-que foi? (silêncio)
-nada. você que é uma chhaaata. vaiiii, desliga isso. assim você fica incomunicável. (silêncio)
-o quê que você quer comunicar comigo? (silêncio)
-ai, como você é chhhaaata! (silêncio)
(tá, vai lá, socializa)
-pronto
silêncio.
silêncio.
(música)
você na bolha. de novo.
-oi? (silêncio)
-ai, desliga isso!! (silêncio)
-que foi? (silêncio)
-nada. você que é uma chhaaata. vaiiii, desliga isso. assim você fica incomunicável. (silêncio)
-o quê que você quer comunicar comigo? (silêncio)
-ai, como você é chhhaaata! (silêncio)
(tá, vai lá, socializa)
-pronto
silêncio.
silêncio.
(música)
você na bolha. de novo.
19.5.07
dos horários
tá cinza lá fora, barulho de chuva e cara de que finalmente chegou o inverno. pelo menos por hoje. se eu acordasse ia ser legal. eu ia fazer um monte de coisa. mas seu eu ficasse aqui ia ser ótimo também. eu ia dormir até acordar. fazer coisas. dormir. fazeeerr.. coiisssaaass... x... dooo..rr..miiizzzzzzzzzzzzzz
eu quero o melhor dos dois mundos. então eu acordo depois de dormir. e vou fazer as coisas. o espaço. o tempo. o universo. todos eles se movem na minha escala para algumas horas depois. mas, pra mim, ah-ha!, ainda é antes. vê se eu ligo.
então o plano é tomar café da manhã. tem arroz com frango. e eu vou tomar banho cedinho também. eu disfarço e nem olho para o relógio que, bobão, diz que é 14:30. mentira. é nada. é cedinho! tanto que, ó, eu tô com sono ainda. cara amassada e tudo.
de toalha tá tão confortável. então eu vou ouvir só esta música. a próxima é legal? então eu ouço também. até as legais acabarem e eu tiver pensado em que roupa eu vou colocar. não posso demorar. tenho hora marcada para fazer coisas daqui a pouquinho. em duas horas.
o dia mal começou. eu tenho ele todo pela frente. até ele acabar. na hora que eu quiser. na hora que eu já tiver feito tudo o que eu quiser. na velocidade que eu quiser. no ritmo que eu quiser. mesmo na hora que eu não tiver feito nada do que eu queria ter feito.
porque hoje é sábado. e eu só faço quando eu quiser.
eu quero o melhor dos dois mundos. então eu acordo depois de dormir. e vou fazer as coisas. o espaço. o tempo. o universo. todos eles se movem na minha escala para algumas horas depois. mas, pra mim, ah-ha!, ainda é antes. vê se eu ligo.
então o plano é tomar café da manhã. tem arroz com frango. e eu vou tomar banho cedinho também. eu disfarço e nem olho para o relógio que, bobão, diz que é 14:30. mentira. é nada. é cedinho! tanto que, ó, eu tô com sono ainda. cara amassada e tudo.
de toalha tá tão confortável. então eu vou ouvir só esta música. a próxima é legal? então eu ouço também. até as legais acabarem e eu tiver pensado em que roupa eu vou colocar. não posso demorar. tenho hora marcada para fazer coisas daqui a pouquinho. em duas horas.
o dia mal começou. eu tenho ele todo pela frente. até ele acabar. na hora que eu quiser. na hora que eu já tiver feito tudo o que eu quiser. na velocidade que eu quiser. no ritmo que eu quiser. mesmo na hora que eu não tiver feito nada do que eu queria ter feito.
porque hoje é sábado. e eu só faço quando eu quiser.
15.5.07
das linhas tortas
de repente uma idéia aparece. um relance cerebral. depois tem outra. q não necessariamente tenha que vir depois da primeira. talvez falte algo no meio. frases prontas que eu tenho que colocar na ordem. ordem que eu não tenho qdo eu penso nas coisas. quando eu penso em folhas secas. quando um grande cordão vai puxando a próxima idéia. quando eu não tenho a menor idéia de como este texto vá acabar. eu acabei de apagar uma frase aqui. e de fazer uma pausa. eu nem sei o que eu vou dizer, mas as palavras vão aparecendo. liberte-se. lembra de quando vc era tímida? no que deu isto? em nada,né? então, não se reprima. como os menudos. não se reprima / não se reprima. eu nem lembro direito deles. desta época. era mto pequena. mas meu avó se lembrava de mim cantando. então, a memória que eu tenho é do meu avó cantando menudo. o que é muito bizarro. e bem divertido. eu lembro dele na praia também. em cima da escada. numa casona que agora virou um hotel esquisito. que, só eu sei disto, tem três bonecos dos comandos em ação enterrados onde, hoje, é o banheiro masculino. eu sei pq fui eu q enterrei. só não sei exatamente onde estão os bonecos do meu irmão. se ele soubesse onde era aposto q a gente teria brigado uma vez a menos na vida. mas faz tempo q a gente não briga, na verdade. eu reli um pedaço e reparei que tem um monte de palavra que eu repito diariamente: bizarro. cafona. elaia. meu. mano. parecem meio pessimistas. mas acho q eu tenho um vocabulário melhor para as coisas boas. ou eu quero achar isto. hum, pollyana!
14.5.07
dos méxãpis
(do inglês mashups): 1. a arte pós-moderna de escutar duas coisas ao mesmo tempo. pq tem muita coisa pra ouvir. uma coisa depois da outra já tá ficando ultrapassada. não dá tempo! 2. pq a arte pós-moderna se faz de citações e apropriações. não necessariamente de criações. 3. músicas divertidas onde vc não aproveita direito nenhuma das duas que estão tocando. 4. interferência de estações no rádio. 5. mas eu gosto.
do fim de uma era
era uma vez um lugar legal. num reino aqui pertinho. onde as pessoas eram legais e a trilha sonora era melhor ainda. o hino era um banquete. "a heart of stone / a smoking gun". o único problema era ser mantida refém na pista de dança. mas o povo gostava. tinha bebiba e diversão para todos. eram muitos todos, aliás. uma pequena multidão. uma multidinha. que invadia este país, loucos para serem aprisionados na pista de dança.
e assim ele reinou, soberano, por muitos e muitos sábados.
porém,
como todo império,
depois do auge vem o declínio.
e as pessoas continuavam a ir. mas não eram as mesmas pessoas legais. tinha gente de passagem só. turistas. que ouviram falar de algo que parecia ser legal mas não sabiam exatamente pq. mas a música ainda era boa. ela resistia. e eu me mantinha refém da pista. as cotoveladas, os pisões, nada me expulsava dali. eu tinha chegado primeiro. junto com a música.
até que, um dia, a música resolveu que também não era mais a mesma. não sei exatamente pq. mas não eram mais irresistíveis. do meu lugar cativo, eu me mantinha alheia às pessoas esquisitas-que-empurram. mas, do mesmo lugar, eu não conseguia ficar parada esperando pela próxima.
e eu tive que assumir que eu perdi a batalha.
que um império declinou.
e que eu tenho que procurar novos horizontes para assentar acampamento.
e é com muita dor no coração.
e assim ele reinou, soberano, por muitos e muitos sábados.
porém,
como todo império,
depois do auge vem o declínio.
e as pessoas continuavam a ir. mas não eram as mesmas pessoas legais. tinha gente de passagem só. turistas. que ouviram falar de algo que parecia ser legal mas não sabiam exatamente pq. mas a música ainda era boa. ela resistia. e eu me mantinha refém da pista. as cotoveladas, os pisões, nada me expulsava dali. eu tinha chegado primeiro. junto com a música.
até que, um dia, a música resolveu que também não era mais a mesma. não sei exatamente pq. mas não eram mais irresistíveis. do meu lugar cativo, eu me mantinha alheia às pessoas esquisitas-que-empurram. mas, do mesmo lugar, eu não conseguia ficar parada esperando pela próxima.
e eu tive que assumir que eu perdi a batalha.
que um império declinou.
e que eu tenho que procurar novos horizontes para assentar acampamento.
e é com muita dor no coração.
12.5.07
da relatividade
eu chego e dou boa noite.
ele abre a porta e fala bom dia.
e eu tenho certeza que é de propósito.
ele abre a porta e fala bom dia.
e eu tenho certeza que é de propósito.
9.5.07
do acaso
um dia eu fui na banca fazer a minha compra mensal. moda. música. novidades. suprimento suficiente para dias de sol, noites tediosas, companhia para o almoço e demais brechas no tempo.
em uma delas veio um calombo. um vidro de esmalte que foi renegado a um lugar - sem destaque nem glamour - do meu criado-mudo numa dessas noites tediosas. em que eu li a revista. toda. inteira. que era tão profunda qto pode ser uma revista que traz um vidro de esmalte. e em que eu precisava arranjar mais coisas pra fazer.
olhei pro lado. 2 am. (amanhã eu preciso acordar cedo). um livro. um esmalte. o abajur.
o esmalte.
o esmalte era uma das coisas mais inúteis q eu poderia ter ganhado. em todos os meus vinte e cinco anos de vida. e não só era um esmalte. era vermelho. sim. sem dúvida alguma. ele era vermelho.
hum... e se eu pintasse a unha? sim, eu tenho acetona. tá. eu pinto. durmo. e vejo como eu me sinto quando acordar.
2:15 am. unhas pintadas. definitivamente de vermelho.
-
8:30 am. ai, saco.
uou! unhas pintadas!
vermelho! me gusta.
saí desfilando-as por aí.
-
la bohéme. volúpia. fifith avenue. deixa beijar. carmim. cigana. pareô. desejo. diva.
tenho todos.
todos definitivamente vermelhos.
em uma delas veio um calombo. um vidro de esmalte que foi renegado a um lugar - sem destaque nem glamour - do meu criado-mudo numa dessas noites tediosas. em que eu li a revista. toda. inteira. que era tão profunda qto pode ser uma revista que traz um vidro de esmalte. e em que eu precisava arranjar mais coisas pra fazer.
olhei pro lado. 2 am. (amanhã eu preciso acordar cedo). um livro. um esmalte. o abajur.
o esmalte.
o esmalte era uma das coisas mais inúteis q eu poderia ter ganhado. em todos os meus vinte e cinco anos de vida. e não só era um esmalte. era vermelho. sim. sem dúvida alguma. ele era vermelho.
hum... e se eu pintasse a unha? sim, eu tenho acetona. tá. eu pinto. durmo. e vejo como eu me sinto quando acordar.
2:15 am. unhas pintadas. definitivamente de vermelho.
-
8:30 am. ai, saco.
uou! unhas pintadas!
vermelho! me gusta.
saí desfilando-as por aí.
-
la bohéme. volúpia. fifith avenue. deixa beijar. carmim. cigana. pareô. desejo. diva.
tenho todos.
todos definitivamente vermelhos.
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